Sobre as coleções

Caixa de fósforos promocionalEu tenho até hoje uma coleção de caixas de fósforo que herdei do meu avô. Sim, aquelas caixinhas que antigamente todo mundo ganhava de brinde em restaurantes, hotéis e estabelecimentos comerciais: um desenho, uma chamada, um número de telefone... e 12 fósforos de papel. Coisa que foi caindo em desuso com o crescimento do antitabagismo.

Daí achei que a minha coleção ia ficar parada no tempo, sem adições, porque anda cada vez mais difícil achar esses brindes. Qual não foi a minha surpresa quando fui no Casa Cor e uma decoradora ofereceu um jarro de caixinhas lindas para os visitantes? A impressão foi de que a coleção do meu avô tinha voltado à vida.

As coleções fazem a gente pensar: como decidir o que é válido incluir e o que não é? Uma amiga artista plástica uma vez me disse que ela colecionava as coisas sem saber muito para quê, até que de repente o conjunto revelava um sentido próprio e ela descobria o que fazer com a coleção. No caso dela era uma obra de arte.

Quanto mais o tempo passa, minha coleção de caixas de fósforo vai ficando antiquada e vira testemunho de uma época em que era chique fumar, de restaurantes que não existem mais, de viagens que eu não fiz (mas meu avô sim) e da existência da finada Panair, inclusive. De repente o conjunto toma sentido e eu tenho um mundo a parte.

Vai ver que é por isso que a feira da Praça XV continua tendo mil barraquinhas de moedas e selos, com um público assiduo. Tem coisa mais legal que ter o seu mundinho a parte?

Por Marina Boechat em 23/10/2010.

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